Diante de um livro de crônicas escrito por uma das maiores autoridades mundiais em genoma e genética humana e pioneiro no Brasil nos testes de DNA, a primeira reação do leitor é munir-se de um dicionário e de uma calculadora, certo? Errado. Pelo menos se o autor for o cientista mineiro Sérgio Danilo Pena, que agora oferece ao público este saboroso “À Flor da Pele”.
Não é todo dia, afinal, que se pode topar com um livro de crônicas científicas que esmiúça assuntos tão variados quanto a filosofia, a genética, a arte e a música para nos ajudar a desvendar alguns dos muitos mistérios da vida. “À Flor da Pele” é um desses raros livros.
Cientista festejado aqui e além-mar, Sérgio Pena consegue nestas páginas o prodígio de produzir deliciosas e bem humoradas crônicas (você já pensou em trocar seu cãozinho de estimação por um casal de trilobitas?) sem em nenhum momento perder o eixo do rigor científico. A crônica científica se enriquece e assume, nas mãos de Sérgio Pena, a elegância da mais requintada literatura, virtude especialmente visível na crônica da guerra dos sexos ou quando o autor compara o genoma humano à “Biblioteca de Babel”, de Jorge Luís Borges.
Internacionalmente conhecido por seu talento e rigor científico, Sérgio Danilo Pena tem dado provas de sua coragem pública como, por exemplo, defender sem meias-palavras as pesquisas com células-tronco - um atestado de grandeza e correta preocupação com a miséria das enfermidades humanas. Ou por seu empenho em desmistificar preconceitos que sustentaram a suposta superioridade de uma raça sobre outra para humilhar, explorar e dominar. Foi com todos esses ingredientes à mão que Sérgio Pena concebeu este “À Flor da Pele” – um livro, em uma só palavra, indispensável.
Fernando Morais