Síndrome de Prader-Willi e Síndrome de Angelman
A
Síndrome de Prader-Willi (SPW) tem um fenótipo clínico
caracterizado por hipotonia neonatal e retardo de
desenvolvimento, seguido por desenvolvimento pós-natal de
polifagia com subseqüente obesidade, baixa estatura,
hipogonadismo hipogonadotrófico, e leve a moderado retardo
mental. A Síndrome de Angelman (SA; também conhecida
como a síndrome do “Marionete Feliz”) está associada com
sintomas e sinais extra-piramidais (movimentos abruptos, marcha
irregular com a parte superior do braço inflexível),
hiperatividade, acessos, retardo mental severo com ausência de
fala verbal e paroxismos de risos inapropriados. A SPW e a SA
cada uma ocorre em uma freqüência de cerca de 1/10.000 a
1/20.000 nascidos. A razão pela qual elas são discutidas
juntas é que ambas síndromes são mais frequentemente causadas
por microdeleções na região cromossômica 15q11-q13 que é
sujeita a impressão genômica.
A
SPW e SA são associadas com deficiências do cromossomo 15
paterno e materno, respectivamente. As deficiências são
causadas por microdeleções (~75 % de casos de SPW ou SA), por
dissomia uniparental (25 % de SPW e 2 % de SA) ou por mutações
na impressão genômica. Por causa da impressão genômica, há
expressão monoalélica diferencial de genes nos cromossomos homólogos
15 paterno e materno, e assim as microdeleções resultam em
completa deficiência de expressão de genes críticos. Os genes
para SPW não foram identificados ainda, que provavelmente
origina de deficiências múltiplas (síndrome de genes contíguos).
Por outro lado, aproximadamente 20% dos pacientes com a SA não
mostram microdeleções cromossômicas, dissomia uniparental ou
mutação na impressão genômica. Recentemente, mostrou-se que
estes pacientes apresentam mutação no gene que codifica para
uma ligase proteína-ubiquitina (UBE3A)
que está envolvida na via de degradação de proteínas
dependente de ubiquitinização e sofre impressão genômica cérebro-específica.
O
sequenciamento genômico da região do gene SNRPN, depois do
tratamento com bissulfito de sódio, revelou que >96 % de
todos dinucleotídeos CpG são metilados no cromossoma materno. Esta
informação foi utilizada para desenvolver o método de PCR
específico para amplificação das cópias metilada e não
metilada do exon a do gene SNRPN, para
diagnóstico da SPW e SA que é usado rotineiramente no GENE - Núcleo
de Genética Médica.
Para
estabelecimento do diagnóstico molecular para SPW/SA, no GENE,
a M-PCR é usada conjuntamente com outra técnica baseada na
perda de heterozigosidade para três marcadores genéticos de
15q11-q13 (D15S11,
D15S113 e GABR b 3), pois a maioria dos
indivíduos afetados para a SPW e a SA tem deleção ou dissomia
uniparental desta região. No caso da dissomia uniparental, o
paciente apresentará dois cromossomos com o mesmo alelo (isodissomia
paterna ou materna) ou dois cromossomos com os dois alelos
diferentes (heterodissomia paterna ou materna).
Os
critérios para estabelecimento de diagnóstico molecular no
GENE são: para a Síndrome de Angelman, a ausência da banda
materna na M-PCR e homozigose para os três loci analisados na
PCR multiplex (deleção ou isodissomia paterna) ou heterozigose
para pelo menos um locus (heterodissomia
paterna). Para Síndrome de Prader-Willi consideramos evidência
diagnostica a M-PCR mostrando ausência da banda paterna e
homozigose para os três loci analisados na PCR multiplex (deleção
ou isodissomia materna) ou heterozigose para pelo menos um locus
(heterodissomia materna). Ou alternativamente, a ausência da
banda paterna na M-PCR, com homozigose para o locus D15S11 e
heterozigose para os demais, também pode ser interpretada como
microdeleção. Deste modo é possível diagnosticar
praticamente todos os indivíduos afetados por SPW
(deleções da PAR, DUP ou deleções no CI). Dentre os
indivíduos afetados pela SA seria possível diagnosticar cerca
de 79 % (deleções da PAR, DUP e deleções no CI),
deixando de detectar os pacientes com mutação em um
gene ou microdeleções fora das regiões cobertas por estes
marcadores genéticos.
Laboratório de Medicina Genômica